Fundação Universitária Mario Martins | Centro de Estudos Psiquiátricos Mario Martins | As novas configurações familiares: novos vínculos contemporâneos.
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As transformações sociais das últimas décadas mudaram o modo como concebemos a família. O modelo tradicional que se definia como pai, mãe e filhos não mais representa a diversidade das relações afetivas no mundo atual. Famílias monoparentais, homoafetivas, recompostas, redes de cuidado ampliadas, entre outras, ocupam espaço na vida real.

Diante dessas mudanças, uma pergunta começou a gerar debates: o que define uma família? A resposta não aponta para uma leitura formal, mas para a qualidade dos vínculos.

Na psicanálise, a família é compreendida como o primeiro espaço de constituição subjetiva e não só um agrupamento biológico ou jurídico. É nesse espaço que se conhece a linguagem, se aprende a lidar com desejo e limites. Tradicionalmente, as funções materna e paterna eram os pilares estruturantes, mas tais funções não estão totalmente atreladas ao gênero ou à biologia. A função materna está relacionada ao cuidado, à sustentação; a função paterna se refere à introdução da lei, da separação. Em novas configurações familiares, essas funções continuam existindo, mas podem ser exercidas por diferentes pessoas.

O que sustenta uma família não é a sua forma, mas o desejo que circula entre seus membros, como o de cuidar, de reconhecer o outro como sujeito, de estabelecer limites e de permitir a diferenciação.

Uma família recomposta pode apresentar a construção de novos lugares simbólicos para padrastos, madrastas e meio-irmãos. Em famílias homoafetivas, muitas vezes, há a necessidade de enfrentar preconceitos que impactam a sua dinâmica.

Apesar das diferenças, todas as configurações compartilham uma mesma tarefa: oferecer um ambiente estável para que o indivíduo cresça, se constitua.

Embora não exista família “perfeita”, é nessa incompletude que se permite o surgimento do desejo. E tais novas configurações, ao romperem com modelos rígidos, também expõem essa condição estrutural: toda família é, de algum modo, uma tentativa e não um modelo acabado.

As novas configurações não causaram uma ruptura na função da família, mas transformaram suas formas de expressão. É preciso olhar menos para a estrutura externa e mais para os vínculos internos, preservando o que caracteriza o laço familiar: o cuidado e a possibilidade de reconhecimento do outro como sujeito. A família é um espaço em construção.



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