A urgência do reencontro
Hoje a internet ultrapassa os limites e se estabelece como uma autoridade silenciosa na vida das pessoas. A rede, com seu fluxo constante de comportamentos e padrões, é capaz de moldar percepções e decisões de adultos e, principalmente de jovens, pois ainda estão em processo de formação — a sua vulnerabilidade pode ser atingida por pressões, muitas vezes, invisíveis aos nossos olhos.
Nesse cenário, o bullying assumiu novas formas. Ele não se limita mais aos muros ou corredores do colégio — ele também está nas redes sociais, escapando ao controle de educadores e familiares.
Por isso, a recente proibição do uso de celulares nas escolas é um grande avanço. Tal medida busca recuperar algo essencial — o encontro humano. Quando os celulares são deixados de lado, os olhares se cruzam novamente, os diálogos reaparecem e as amizades ganham um novo fôlego.
Embora o controle nas escolas e o parental sobre o uso do celular seja importante, ele não é o suficiente. É contraditório proibir o uso de telas por parte dos filhos, se os pais mantêm seus aparelhos consigo durante os momentos de convívio familiar. O celular se transforma em uma barreira física e simbólica: entre pais e filhos, entre perguntas e respostas, entre afeto e ausência.
Educar e cuidar dos jovens neste século, exige mais do que novas regras, ferramentas digitais e aplicativos de monitoramento. Exige presença, escuta e coerência. Se quisermos que nossos filhos estabeleçam relações saudáveis com o mundo digital, precisamos, primeiro, ensiná-los — com o exemplo — a valorizar o que temos disponível e que é mais humano: a convivência, a atenção e o olho no olho.

