A influência das redes sociais nos distúrbios alimentares
Não é uma realidade de hoje que as redes sociais estão presentes em nosso cotidiano,principalmente entre adolescentes e jovens adultos. Plataformas voltadas para a exibição de imagens e vídeos como Instagram e TikTok estão, diariamente, apontando para a formação da autoestima e da percepção corporal de seus usuários.
Consideradas ferramentas importantes para o compartilhamento de experiências e para o acesso à informação, as redes sociais são um fator de alto risco tanto nodesenvolvimento, como no agravamento de distúrbios alimentares. A chamada cultura da imagem, antes disseminada pala mídia impressa e televisiva, agora está nas mãos das pessoas através do celular. Essa cultura valoriza padrões corporais, na maioria das vezes, “perfeitos” e inalcançáveis, ou seja: irreais.
Centenas de influenciadores digitais, celebridades e até pessoas pouco conhecidas,expõem corpos idealizados, muitos deles editados por filtros ou softwares de manipulação de imagem. Toda essa exposição diária pode levar os usuários mais vulneráveis a desenvolverem uma repulsa a seus corpos reais, a partir de uma comparação negativa, gerando insatisfação corporal e comportamentos alimentares disfuncionais.
Além da exposição de corpos inalcançáveis, há a uma gama de conteúdos tóxicos, como dietas extremamente restritivas, rotinas exaustivas de exercícios e hábitos de controle alimentar prejudiciais à saúde. Embora o conteúdo pareça positivo, criado dentro de um marketing muito bem elaborado, reforçam ideais de magreza extrema e promovem uma relação obsessiva com o corpo e a alimentação. Há, também grupos online que estimulam comportamentos característicos de transtornos alimentares, como a anorexia nervosa e a bulimia, com falsas teorias e “dicas milagrosas” para perder peso rapidamente. Isso não significa que nas redes não existam comunidades e movimentos acolhedores que promovem a aceitação corporal múltipla e real, como perfis de profissionais sérios que apontam para uma nutrição saudável, para a conscientização e prevenção de transtornos alimentares.
A grande preocupação é que a influência das redes sociais sobre os corpos é muito mais negativa do que positiva. Por isso, instituições, escolas, famílias e profissionais de saúde precisam desenvolver um olhar crítico, promover o diálogo e dispor atenção às pessoas mais vulneráveis, a fim de minimizar os impactos negativos, promovendo uma relação mais saudável com o corpo e a alimentação.

