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David Zimmermann
Amor ao aluno em primeiro lugar
David Zimmermann faleceu aos 81 anos, discretamente, como era seu estilo, exatamente no último dia de 1998, fazendo lembrar seu empenho em levar suas tarefas ate o final. Era casado com a psiquiatra Aida Zimmermann, com quem teve três filhos: Sérgio, Jacques e Heloisa; o primeiro, engenheiro agrônomo, e os dois últimos médicos psiquiatras.
Em 1957, portanto, ha 42 anos, Zimmermann criou o Curso de Especialização em Psiquiatria, da Faculdade de Medicina, da UFRGS, onsagrando-se como o mais antigo do país.

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0 trabalho que desenvolveu naquele período fez com que se tornasse o psiquiatra e psicanalista gaúcho mais conhecido nacional e internacionalmente, estimulando e ajudando seus alunos para que ultrapassassem as fronteiras do nosso Estado e do Brasil, em busca do conhecimento e do relacionamento com colegas de outros centros.
No caderno Vida, do Jornal Zero Hora, de 22.11.97, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por um texto do Professor Cláudio Eizirik, comemorou a passagem do 40º aniversário do "Curso do David", nome como, com o passar dos anos, tomouse conhecido em todo o país. Três anos antes dessa demonstração de reconhecimento, a cidade de Porto Alegre, por decisão unânime da Câmara de Vereadores, havia lhe concedido o título de Cidadão Emérito, destacando não apenas o seu desempenho como professor, mas, também, o seu trabalho comunitário. Zimmermann foi um medico que, ao longo de 50 anos de profissão, dedicou uma parte expressiva do seu tempo ao atendimento da população carente, principalmente do Partenon, bairro em que nasceu e se criou, na condição de filho único de um casal que obtinha modestos recursos de um pequeno comércio área dos fundos servia de moradia para a família. Ele jamais esqueceu sua origem humilde e sempre demonstrou admiração pelas pessoas que lutam para vencer na vida.
Provavelmente, a mais destacada característica do Prof. David Zimmermann era sua brilhante inteligência que, aliada as suas qualidades humanas, reconhecida probidade, cultura e elevado espírito científico, elevaram-no à posição de um autêntico líder, possuidor da capacidade de perscrutar os destinos da Psiquiatria e da Psicanálise, acendendo as luzes do futuro dessa área para seus colaboradores e alunos. Essa antevisão incentivou uma profunda reestruturação do Curso de Especialização em Psiquiatria, da UFRGS, que ele mesmo promoveu no inicio da década de 70, possibilitando a criação do Mestrado em Psiquiatria e os novos rumos observados nos anos 80, o que promoveu o ensino de Psiquiatra do nosso Estado ao mesmo nível dos melhores patamares da Psiquiatria mundial, desenvolvendo a pesquisa clínica e experimental sem desprezar a Psicoterapia de Orientação Analítica.
Em 1995, por ocasião do lançamento da primeira edição de seu livro Estudos de Psicoterapia.

Zimmermann declarou sentir-se um homem feliz e realizado por tudo o que havia feito, principalmente, pelo que conseguira construir nos últimos dez anos. Referia-se à Fundação Universitária Mario Martins (FUMM) e à Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPdePA), cuja criação e crescimento tiveram o maiúsculo apoio de sua experiência e de seu consagrado e indispensável prestígio. Na FUMM, ele deu continuidade ao seu Curso de Especialização em Psiquiatria, nos moldes do que havia criado na UFRGS, em 1957, o qual, atualmente, tem o merecido nome de Curso de Especialização em Psiquiatria Prof. David Zimmermann. Na SBP de PA, entidade que lhe concedeu os títulos de Membro Fundador, Membro Titular e Membro Honorário, retomou suas discussões sobre Psicanálise, iniciadas em 1963, na Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, que ajudou a fundar e da qual foi analista didata por duas décadas.
Zimmermann manteve ate o final da vida uma ligação afetiva muito intensa e verdadeira com seus alunos, incluindo aqueles que, por razões variadas, dele se afastaram. Os alunos, assim como os pacientes, constituíam seu grande e valorizado tesouro e, apesar de serem em grande número, guardava na lembrança não apenas o nome completo de todos, mas sua trajetória na Faculdade de Medicina, no Curso de Especialização ou no Instituto de Psicanálise, respeitando suas individualidades e procurando destacar o que possuíam de melhor. Ele apreciava convidá-los para sua casa e aceitava, com muita satisfação, os convites que deles recebia, viajando sem dificuldade para a cidade em que se encontravam, se fosse o caso, para uma festa de aniversário ou casamento.
Quem conviveu mais intimamente com Zimmermann, nos últimos anos, durante os quais refletiu sobre diversos acontecimentos marcantes de sua atividade como psiquiatra, psicanalista e, principalmente, professor, é testemunha de que procurava analisar as situações em seu conjunto, evitando ataques pessoais e deixando transparecer em seus comentários o genuíno desejo de que, um dia, todos pudessem estar juntos. De certa forma, este desejo foi satisfeito no dia 13 de marco de 1999, na Homenagem Póstuma que lhe foi prestada pela Fundação Universitária Mario Martins, em conjunto com as entidades psiquiátricas e psicanalíticas filiadas à Associação Brasileira de Psiquiatria e à Associação Brasileira de Psicanálise, e que contou com a presença de um grande número de alunos, representando várias gerações de psiquiatras e psicanalistas gaúchos. Era o encontro que ele almejava realizar, movido pela generosidade dos mestres que, além de ensinar, amam os alunos como se fossem seus filhos
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Gley P. Costa - Medico Psiquiatra e Psicanalista

 

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